segunda-feira, 18 de julho de 2011

Nasce um mercado secundário...

Vinícius Dornela e Antônio Miranda, fundadores do Regrupe 

O mercado de compras coletivas avança rápido no Brasil. Em 2011, espera-se que os brasileiros gastem 1 bilhão de cupons – passaportes que permitem consumir produtos variados – serviços de salões de beleza, ingressos de teatros, jantares etc. – com descontos atraentes. Segundo relatório divulgado em março pela WebShoppers, em parceria com o apoio da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, são 1.200 sites em operação ou lançamento no segmento. As apostas no segmento são tantas, que já tem até um mercado secundário de compras coletivas. É o caso do Regrupe. Fundado em fevereiro por Antonio Miranda e Vinicius Dornela, engenheiros formados pelo ITA – um deles, ex-funcionário do Groupon -, o site revende cupons de compras coletivas.
A lógica por trás do negócio é relativamente simples: o Regrupe permite que o usuário adquira ofertas que perdeu em sites como Peixe Urbano e Groupon ou venda aquele cupom que comprou por impulso e desistiu de usar – no valor que considerar adequado, diga-se. Em tese, todos saem ganhando ao final da operação: o consumidor final aproveita a barganha, o consumidor arrependido pode reaver parte do que gastou, e o site, claro, leva o seu quinhão: 8% do valor vendido e mais R$ 0,99.
Em entrevista ao site de VEJA, o fundador do Regrupe Antonio Miranda projeta que até o final do ano o site movimentará cerca de 5 milhões de reais. E aproveita para negar que haja uma bolha no setor. “Clubes de compras coletivas vieram para ficar”, vaticina.
Como funciona o modelo do Regrupe? O site é um agregador de compra e venda de cupons de sites de compras coletivas como Groupon, Peixe Urbano, ClickOn. A grande novidade é a possibilidade de um consumidor comprar ofertas que perdeu nesses sites ou vender aquele cupom que comprou e não pretende usar.
Como surgiu a ideia de criar um mercado secundário de um setor que cresce de forma vertiginosa? Participei da fundação brasileira do Groupon, maior site de compras coletivas do mundo. Trabalhei por quatro meses na empresa como diretor de inteligência de mercado e, apesar dos poucos meses de trabalho, consegui constatar um processo durante a compra. Cerca de 20% a 30% dos usuários desses sites não conseguiam usar os cupons de menor valor e não encontravam espaço para revendê-lo. Pouco tempo depois, preferi deixar o Groupon para criar em fevereiro o Regrupe com outro colega de ITA (Vinícius Dornela). Até o momento, são sete pessoas trabalhando na empresa.
Como a empresa lucra? A cada transação, o Regrupe retém 8% do valor vendido e mais R$ 0,99 e arcamos com a taxa dos cartões de crédito. O grande charme do negócio é que o consumidor faz valer a lei da oferta e da procura: escolhe o valor para oferecer no site.
Quais são as ofertas que mais aparecem no site? Promoções envolvendo alimentação (restaurante), saúde e bem-estar (clínicas de estética) aparecem constantemente no site. O Regrupe é reflexo do perfil de quem consome em sites de compras coletivas: mulheres são maioria, entre 60% e 70%.
Quantos sites de revenda de compra coletiva existem no país? O mercado ainda é novo – começou nos Estados Unidos em outubro, com o Lifesta e Couprecup. Nosso modelo se aproxima ao do Lifesta, onde um intermediador facilita a compra e venda de cupons que não serão utilizados pelos consumidores. No Brasil, já temos três exemplos parecidos aos princípios da empresa, casos do Recupom, Troca Cupom e Troca Descontos.
Compra coletiva é uma bolha? Não considero. Clubes de compras coletivas e seus mercados desenvolvidos a partir de seu sucesso vieram para ficar. Haverá apenas um processo de evolução das empresas no setor – e do próprio consumidor.

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